terça-feira, 5 de abril de 2016

499 - Reflexões sobre o sistema educativo Finlandês V


Na sequência das minhas publicações anteriores (ver etiquetas:Joensuu, Finlândia, projeto MAIS ou sistema educativo Finlandês), sigo continuando o meu relato sobre a minha dupla experiência em Joensuu, na Finlândia a segunda das quais no âmbito do projeto Erasmus+ KA1 MAIS desenhado pelo AE Carlos Gargaté, onde leciono, e pelo qual fui frequentar um curso sobre gestão escolar.  


II - Perplexidades 2ª parte


8 –A Finlândia vai fazer uma reforma curricular – Então mas o sistema educativo finlandês não dá frutos de excelência? então mexe-se num sistema ganhador? Podemos aduzir que a lógica da reforma tem a ver com a adequação do ensino aos novos tempos em que vivemos: Thinking skills, artes e expressões, formas de trabalhar e interagir, autoconsciência e responsabilidade pessoal; participação e iniciativa. 
Então mas os alunos finlandeses não tinham já estas competências adquiridas? 
hum... Claro que se percebe onde a Finlândia quer chegar e a criação de uma área de integração de saberes faz sentido, mas então não se pinte tudo de cor-de-rosa. 
 
9 - A Finlândia que acabar com a avaliação preferencial por testes escritos (pag 25 - basic education) valorizando a existência de outros instrumentos de avaliação. Então, mais uma vez, se se quer mudar, é porque há uma prática que não é conforme.
 
10 – Neglicência dos pais – Embora os números sejam baixos, na Finlândia também há abandono da escolaridade e negligência por parte dos pais e encarregados de educação - 202 casos em 2013 de abandono da escolaridade obrigatória e não completar a escolaridade obrigatória na idade adequada 
 
11- A sala de aula - Este é um aspecto interessantíssimo a relatar. O sistema educativo finlandês é extremamente aberto e qualquer um pode entrar numa sala de aula e observar. Já tive esse privilégio umas poucas de vezes. Entrei na sala que quis, sem ninguém a acompanhar-me e observei. E o que vi?  O mesmo que veria numa sala de aula portuguesa. Um professor a ensinar de uma forma mais ou menos tradicional e alunos atentos e outros desatentos!  Qual a diferença então? creio que o segredo está na consciencialização de cada um. O professor sabe o seu papel, sabe que é competente e ensina. Não perde tempo a corrigir comportamentos menos adequdos. O aluno sabe que se estiver desatento tem que recuperar sozinho. Não se pense que há um ensino marcado pelo uso das tecnologias ou que os professores têm artes mágicas. Ensinam todos da mesma forma. A Questão é que lá, não se procuram culpados para o insucesso e não se aponta o dedo ao professor. Confia-se no seu trabalho e muito. Isso muita tudo. Eu estou a dar uma aula onde sei que o meu diretor e os meus colegas confiam no meu trabalho. 


12 – E qual a razão do sucesso PISA? O background cultural pesa? Penso que sim! penso que também contribui um pouco para os resultados e que os alunos entram na escola com 7 anos, logo estes ao fazerem os mesmos testes são mais velhos. 


13 – Afinal também há situações difíceis entre os professores na Finlândia - Uma sessão do curso versou sobre a questão de professores que abusam do álcool e drogas, dos professores que já não são tão capazes, dos problemas de relacionamento entre pares e/ou professores e alunos. Também há pais desafiadores. Afinal têm os melhores como professores, mas é preciso trabalhar com eles alguns aspectos. Lá como cá. Chama-se a isto a necessidade da formação contínua e acompanhamento pelos pares. 
Frases que ouvi nessa sessão: "You do not must to be the best friend, but you must cooperate";"se tens alguma coisa a dizer é agora, ou cala-te para sempre"; "Fala agora, não vás lá para fora … responder à mesa"; "be patient"; "you must take your role… if you don’t, others will do it for you.", "You are on the stage";"I have to learn more things"; "Estiveste 5 anos na faculdade e não és capaz de fazer isto?" 
No fim de contas estamos a falar de liderança, diálogo, promoção de competências para aqueles que andam menos bem: "Everyday you have one thing to learn"; "Estás satisfeito com o que fizeste neste dia? I have done my best!"



15 - há uma questão de género nas escolas finlandesas: elas têm melhores notas, eles abandonam mais, há cdomportamentos desajustados e pensa-se atribuir cotas para os homens poderem ser professores, pois só pela nota nunca chegarão lá! 
 
Hum... quero crer que endeusar em demasiado fazendo contraste só pode levar a um desânimo e frustração. Não pode ser tudo bom por lá e nada bom cá e também não vale puxar do exemplo da Finlândia só para o que interessa.