sexta-feira, 26 de abril de 2013

337 - A promoção da biblioteca

Um dos assuntos recorrentes neste blogue (para além da promoção das literacias e alfabetização digital publicada no post anterior) é a  necessidade de a biblioteca Escolar fazer "advocacy" junto da comunidade que serve. Felizmente que vão existindo mais e mais recursos que as orientam neste tipo de estratégia.

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Post retirado daqui  
A FEBAB traduziu para português este excelente recurso da ALA que apesar uma prática muito habitual por cá... pode ser útil nos próximos tempos!

Tradução disponível: http://issuu.com/febab/docs/advocacyala_handbook_1202/3

quarta-feira, 24 de abril de 2013

336 - Alfabetização para os media e para a informação

Já por diversas vezes referi aqui a necessidade de se promover nas Bibliotecas Escolares a alfabetização para o uso dos media e da informação.

Eis mais um bom recurso disponível para este trabalho com a vantagem de ter a chancela da Unesco.

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Post obtido aqui
 

A UNESCO acaba de anunciar a versão em português do seu Currículo para formação de professores em alfabetização mediática e informacional.
Trata-se de um trabalho que foi debatido por inúmeros especialistas de diferents partes do mundo nos últimos cinco anos, que vai certamente inspirar novos trabalhos, sobretudo no âmbito da formação.
Ficam aqui os pontos que esse currrículo deve integrar:

"De modo geral, o Currículo de Alfabetização Mediática e Informacional (AMI) incluído nesta publicação visa a auxiliar os professores a explorar e compreender a AMI, abordando os seguintes pontos:
  • as funções das mídias e de outros provedores de informação; como eles operam e quais são as condições ótimas necessárias para o cumprimento eficaz dessas funções;
  • como a informação apresentada deve ser criticamente avaliada dentro do contexto específico e amplo de sua produção;
  • o conceito de independência editorial e jornalismo como uma disciplina de verificação;
  • como as mídias e outros provedores de informação poderiam contribuir racionalmente para
  • promover as liberdades fundamentais e a aprendizagem continuada, especialmente à medida que
  • eles relacionam como e por que os jovens acessam e usam as mídias e a informação hoje, e como eles selecionam e avaliam esses conteúdos;
  • ética nas mídias e ética na informação;
  • as capacidades, os direitos e as responsabilidades dos indivíduos em relação às mídias e à informação;
  • padrões internacionais (Declaração Universal dos Direitos Humanos), liberdade de informação,
  • garantias constitucionais sobre liberdade de expressão, limitações necessárias para impedir a
  • violação dos direitos do próximo (questões como linguagem hostil, difamação e privacidade);
  • o que se espera das mídias e dos outros provedores de informação (pluralismo e diversidade
  • como normas);
  • pontes de informação e sistemas de armazenamento e organização de dados;
  • processos de acesso, busca e definição de necessidades informacionais;
  • ferramentas de localização e busca de dados;
  • como entender, organizar e avaliar informações, incluindo a confiabilidade das fontes;
  • criação e apresentação de informações em diversos formatos;
  • preservação, armazenamento, reutilização, gravação, arquivamento e apresentação de informações em formatos utilizáveis;
  • uso de informações para a resolução de problemas e para a tomada de decisões na vida pessoal,
  • econômica, social e política. Apesar de ser extremamente importante, este item representa uma
  • extensão da AMI que está muito além do escopo do presente currículo".
[Para as versões em francês, inglês, espanhol, e árabe, ver AQUI ]

segunda-feira, 22 de abril de 2013

335 - Are School Libraries Still Necessary?

A partir daqui:

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 school_library

Lately I’ve noticed the same question coming up again and again: are school libraries still necessary? It started the other day on my state’s listserv. Someone was asking for ideas because their district is going to have only one certified librarian for the entire district during the next school year. Yesterday, I saw the question being asked on Twitter. When I did a news search on school libraries today, I saw much of the same. School libraries are facing cuts at an alarming frequency.
The idea of cutting school library funding isn’t exactly new. When I started working on my Library Media degree several years ago, library advocacy was a huge topic of discussion in every class I took. It’s really no mystery how I feel about this subject. I absolutely believe that school libraries are a critical component for schools in the 21st Century.

But everything’s online now, right?

Yes. And no. I’d venture to say there’s very little information you can’t find online. At the risk of revoking my library card (a little librarian humor), I will admit that even I vastly prefer finding factual information online. So if the information is freely available, and kids know how to use computers, research should be a no-brainer, right? Wrong.
Let’s think about this logically. When I was a kid, there was a lot of information available in a library. Granted, not as much as what’s available online today, but still a lot of information. What if someone just turned me loose to research a topic without any guidance, just because I knew how to read? I would have no idea where to look for the kind of book I needed, so I would have to wander around browsing every book. That method may be effective, in that I would eventually find what I was looking for, but it is far from efficient.
Think about that in today’s terms. Yes, there’s a ton of information out there. Yes, most students have a basic understanding of how to use the Internet (although not as proficiently as you might imagine). Do they know how to distinguish between factual information and someone’s opinion? How about acceptable use – citing sources, asking for permission to use someone else’s photos, etc.? Not so cut and dry. In my library lesson plans this year, I asked my 4th and 5th grade students to evaluate some websites. I found out that we have a lot of work to do in this area.

Librarians to the Rescue!

These situations are perfectly suited for what librarians have been trained to do. We can help students find and evaluate information, which is a critical skill in the 21st Century. Now you may be thinking, “My librarian doesn’t do that.” My response to you would be, “It’s probably because he/she does not have the opportunity.” As you can see from my crazy schedule, the school librarian’s job has evolved into a hodgepodge of responsibilities that may or may not be centered around teaching 21st Century skills to our students. While I’m a team player and very thankful for my job, I’m also very concerned about our students’ preparedness for their working world – a place that will likely look much different than we can even imagine.

OK, so we can research in a computer lab. There’s no need for fiction books because everyone reads e-books, right?

I found this interesting statistic on the Library Research Service website: only 23% of Americans read an e-book in the past year. Despite the technology all around us, people still enjoy reading paper books. Such reading is particularly important for the youngest students, who are still learning to turn pages, read text from left to right, and look at colorful pictures.
I believe there’s a place for hard copy books and a place for e-books. I like to read them both. The idea that everyone is reading e-books is just not realistic.

So I’m still undecided: Are school libraries still necessary?

If you want to train students how to effectively and efficiently use information, yes. If you want to help students fall in love with reading, yes. If you just want to churn out students who can answer more questions correctly on standardized tests… Yes! Check out this infographic on School Libraries and Student Achievement.
Your school librarian is an awesome resource. When given the appropriate time and resources, your school library program can soar. In the words of Levar Burton from Reading Rainbow, “Don’t just take my word for it.” Check out the comments from real school librarians below.
School librarians, It’s your time to shine! If you could share one thing with a principal or administrator who wants to know the answer to the question, “Are school libraries still necessary?”, what would you say? Share with us in the comments!

domingo, 21 de abril de 2013

334 - Bibliotecas Escolares na Finlândia



Nos passados dias 17 a 23 de Março tive o privilégio de, no âmbito dos programas europeus para a aprendizagem ao longo da vida (cf. Visitas de estudo no site oficial da Agência Nacional PROALV em   http://pt-europa.proalv.pt/public/PortalRender.aspx?PageID={e8681262-4107-4ac1-987f-f1a56bd2b920} )  participar, numa visita de estudo a Joensuu na Finlândia. Esta visita teve como tema: “the teaching profession, teacher education and basic education”

Nesta visita de estudo estiveram presentes 15 responsáveis educativos (diretores, inspectores, representantes de universidades, assessores, …) provenientes de 12 países europeus diferentes, sendo que cada um destes profissionais, para além de um interesse geral sobre o sistema educativo finlandês, pois todos sabemos que os resultados dos testes PISA são bem conhecidos pela sua excelência, teriam os seus próprios interesses pessoais. A mim, particularmente, interessava-me observar as bibliotecas escolares e o papel que estas desempenhavam no sistema educativo.

Vim a saber que, na Finlândia, poucas escolas possuem uma boa biblioteca e outras sentem-se com sorte por se localizarem perto da biblioteca pública de modo a usufruírem dos seus serviços.  No entanto, a maioria das escolas tem uma biblioteca apesar de estas não serem um exemplo de bibliotecas com coleções atualizadas a adequadas.

Nalgumas escolas podem ser destinadas aos professores algumas horas semanais para manter aberta a biblioteca. Também não há financiamento regular para as bibliotecas escolares sendo estas dotadas com um valor aleatório (e possível) para fazer face a despesas que se venham a ter como necessárias. É esta a razão pela qual a coleção não é mantida atualizada.

No entanto, existem algumas escolas e bibliotecas escolares na Finlândia nas quais as coisas funcionam de outro modo e nas quais as coleções estão atualizadas, existem um professor bibliotecário com formação, uma equipa que apoia o professor bibliotecário e um orçamento suficiente para as aquisições e funcionamento. Em algumas localidades, o município associa-se às escolas e investe na biblioteca escolar. Existem também um conjunto de escolas que estão associadas às universidades e que são usadas para colocar os professores estagiários. Nestas existem boas bibliotecas e profissionais para trabalhar em conjunto com a escola. Nestes casos a escola fornece aos professores estagiários uma boa visão do papel da biblioteca escolar no processo de ensino aprendizagem.

A minha visita centrou-se neste último tipo de escolas (com associação com a Universidade do Este da Finlândia). Em todas as escolas que tive oportunidade de visitar, a biblioteca não está localizada numa sala à parte mas implantada no centro da escola (tipo “sala polivalente”) no coração da escola, num espaço comum.

Ambientes de aprendizagem

Esta localização centra-se numa opção estratégica de se conceber a escola numa lógica que favoreça as aprendizagens. No dizer do diretor de uma delas, Dr Heikki Happonen, um bom ambiente de aprendizagem reflete a noção de como as pessoas aprendem, sendo que, deste modo, um edifício escolar e o seu envolvimento físico acaba por transmitir uma mensagem que espelha a noção que se quer para a escola: fábricas, prisões ou ambientes de aprendizagem?




Os edifícios escolares aparentam ser iluminados, abertos, com grandes áreas inundadas de luz. Apetece estar nestes espaços (e não me refiro apenas a alunos). Veja-se o caso de salas de aula que permitem trabalhos de grupo, trabalhos de tutoria, exposição por parte do professor ou ainda oferecerem um espaço de relax para um ou outra situação “complicada”. Um exemplo paradigmático desta conceção é a escola "primária" de Heinavaara (comunidade rural) em que as paredes da sala de aula são substituídas por vidros, o que implica que fora da sala todos possam ver o que se passa dentro dela.    

A atmosfera nas escolas que tive oportunidade de visitar pareceu-me sempre muito calma e saudável, dando a ideia de reinar uma política de confiança entre professores e alunos.
Não se notaram grandes correrias no espaço escola e nem os intervalos eram espaços de grande balbúrdia, para além da alegria natural das crianças em irem "desopilar" após um período de aulas... De facto, os alunos dão a impressão de se sentirem felizes na escola. Provavelmente não serão todos, mas a grande maioria será.
Penso que contribui para esta atmosfera a alta qualidade dos ambientes de aprendizagem que vi: Espaços amplos, equipamento diversificado e moderno, espaços desenhados e pensados para serem multifuncionais.

Os alunos são encorajados a serem independentes dentro e fora da sala de aula e esta é a base de uma boa relação pedagógica. De um modo geral reina o respeito, a confiança e o sentido de responsabilidade. Todos cooperam em nome destes princípios. Neste contexto importa referir que nenhuma criança é deixada para trás (não há reprovações nos primeiros anos e ciclos de ensino) e todas as crianças devem ser aceites com os seus talentos individuais, capacidades e possibilidades de modo a elevá-los e desenvolvê-los.

Em síntese, prevalece a ideia de que um bom ambiente de aprendizagem oferece apoio e ajuda aos aprendentes.

As Bibliotecas Escolares

Neste contexto a Biblioteca Escolar é concebida como um “ambiente de aprendizagem” que se integra num conceito mais vasto (o da escola) e não apenas como o "espaço dos livros".

Numa das escolas, pelo facto do conceito de a biblioteca ser concebida como ambiente de aprendizagem ser levada ao extremo, esta tem até a possibilidade de ser reorganizada (veja-se o pormenor das rodas debaixo das estantes)


Nesta biblioteca, por diversas ocasiões, vi professores e alunos a usarem o espaço para procurarem algo para a realização de trabalhos. Não consegui perceber a existência de professores bibliotecários, o facto é que os livros estavam tratados e arrumados segundo a CDU.
Vi alunos a procurarem textos sobre a primavera e vi a realização de empréstimos domiciliários.


Noutra das escolas que visitei, a escola "primária" de Heinavaara, a biblioteca escolar é também a biblioteca municipal existindo uma boa e excelente parceria.




 Em síntese: Gostei bastante de ver nestas escolas um exemplo prático da conceção da biblioteca escolar como perfeitamente integrada nas práticas quotidianas de professores e alunos e não como “mais um espaço” da escola onde, por vezes, falha a tão desejada articulação curricular e implicação nas aprendizagens (da leitura e das diversas ciências).








domingo, 14 de abril de 2013

332 - 27 coisas que um bibliotecário faz

É sempre bom dar a conhecer o que faz um Bibliotecário (afinal ainda há muita imagem pré-concebida, muito imaginário e muito mito acerca do assunto)


segunda-feira, 8 de abril de 2013

331 - Visita de estudo à Finlândia: The teaching profession, teacher education and basic education VII

Ambientes de Aprendizagem ou o que se espera dos alunos finlandeses (ou vice versa) 

A atmosfera nas escolas que tive oportunidade de visitar pareceram-me sempre muito calma e saudável, parecendo-me reinar uma política de confiança entre professores e alunos.

(Pausa para referir que não me pareceu existir na Finlândia uma grande "questão" étnica ou de minorias provenientes de outras culturas para além da russa, o que permitirá que o meu estimado leitor possa desde já relativizar alguns dos "absolutos").

Não se notaram grandes correrias no espaço escola e nem os intervalos eram espaços de grande balbúrdia para além da alegria natural das crianças em irem "desopilar" após um período de aulas... De facto, os alunos dão a impressão de se sentirem felizes na escola. Provavelmente não serão todos, mas a grande maioria será.

Os alunos são encorajados a serem independentes dentro e fora da sala de aula e esta é a base de uma boa relação pedagógica. De um modo geral reina o respeito, a confiança e o sentido de responsabilidade. Todos cooperam em nome destes princípios. Neste contexto importa referir que nenhuma criança é deixada para trás (não há reprovações nos primeiros anos e ciclos de ensino) e todas as crianças devem ser aceites com os seus talentos individuais, talentos e possibilidades de modo a elevá-los e desenvolvê-los.

Ficou-me na memória uma conversa que tive com um estagiário sobre o sistema educativo Finlandês. Dizia-me ele que nas escolas finlandesas não se ouve uma frase do tipo: "Don´t do that!" e quase gritou a imitá-la. Confesso que me pareceu verdadeira esta consideração pelo facto de, nas minhas observações, não ter visto nenhum professor com ar de "stressado"...

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Penso que contribui para esta atmosfera a alta qualidade dos ambientes de aprendizagem que vi: Espaços amplos, equipamento diversificado e moderno, espaços desenhados e pensados para serem multifuncionais.




(A este propósito não posso deixar de referir a excelente apresentação que o diretor de uma escola, o Dr. Heikki Happonen, nos fez sobre a conceção de edifícios escolares mostrando que a forma como estes são concebidos revelam aquilo que o estado espara delas. Fábricas, prisões ou ambientes de aprendizagem) .

Os edifícios escolares aparentam ser iluminados, abertos, com grandes áreas inundadas de luz.Apetece estar nestes espaços e não me refiro apenas a alunos. Veja-se o caso de salas de aula que permitem trabalhos de grupo, trabalhos de tutoria, espaços de relax para um ou outra situação complicada, exposição por parte do professor, arrumar rápida e facilmente a sala da forma que se deseje. Veja-se a biblioteca concebida como ambiente de aprendizagem e não como "espaço dos livros" e a possibilidade que esta tem de ser reorganizada (veja-se o caso das rodas debaixo das estantes)
O investimento nos edifícios escolares (pensado na lógica do ensino/aprendizagem) reflete a importância que o estado coloca na conceção da escola como comunidade de aprendizagem. Um exemplo paradigmático desta conceção é a escola "primária" de Heinavaara (comunidade rural) em que as paredes da sala de aula para ocorredores são substituídas por vidros, o que implica que fora da sala todos possam ver o qwue se passa dentro dela.    




quarta-feira, 3 de abril de 2013

330 - Eis alguém que sempre esteve muito à frente!

A oportunidade de dinamizar uma sessão de formação para professores bibliotecários em Évora obrigou-me a rever a minha dissertação de mestrado, pois o assunto eram as redes sociais e as ferramentas Web 2.0.

Neste contexto, nunca consigo deixar de me surpreender com o extraordinário texto de José António Calixto (que obviamente usei na minha dissertação) que mostrou que o seu pensamento estava muito para além do tempo em que se vivia quando escreveu o seguinte:


"A sala de aula passa a ser apenas um entre muitos outros locais, na escola e fora dela, onde as experiências de aprendizagem têm lugar, […] A relativização do conhecimento científico introduz a incerteza no campo da educação e sublinha o valor da pesquisa individual e do desenvolvimento das capacidades de manuseamento da informação. Aprender é cada vez menos memorizar conhecimentos e cada vez mais preparar-se para os saber encontrar, avaliar e utilizar. A capacidade de atualização passa a ser uma ferramenta essencial ao indivíduo."

Terá este texto sido escrito quando? 2012? 2011? 2009?... 

Não! o texto é de 1996!!! nos adventos da generalização da Internet, com o Windows 1995. O autor referia-se ainda à superabundância da informação a partir da chamada sociedade da informação.

Se, já na altura o texto era fundamental, o que poderíamos dizer agora dele? e como é que ainda há professores e bibliotecários que pensam e agem como se nada tivesse mudado!

Haja quem saiba colocar-se ao ritmo do tempo em que se vive e não viva alicerçado a conceções perfeitamente desatualizadas..

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Calixto, J. A. (1996). A Biblioteca Escolar e a sociedade de informação. Lisboa: Caminho.

 

terça-feira, 2 de abril de 2013

329 - Visita de estudo à Finlândia: The teaching profession, teacher education and basic education VI

E os alunos finlandeses, como são?

Daquilo que tive oportunidade de observar, estes pareceram-me muito decididos e auto-confiantes.
Sei bem que esta é uma generalização, que não vi uma grande quantidade de escolas e que, numa sala de aula de uma escola secundária, tive oportunidade de ver comportamentos típicos de jovens de todos os países: uma enviava um sms, outro estava com o seu Ipad fazendo tudo menos tirando apontamentos e outra ou outra estava com o ar de tédio ouvindo um professor de história a falar do ultraliberalismo...
No entanto... a larga maioria delas e deles tiravam apontamentos e estavam compenetrados na aula. Recordo-me bem de uma aluno que até sublinhava os apontamentos e tinha uma régua para melhor produzir os seus textos.

Decididamente a imagem que me fica dos alunos de todos os níveis de ensino com os quais tive oportunidade de me cruzar era de que estes davam a impressão de se sentirem felizes na escola e de esta fazer sentido para eles. Mais tarde vim a ter a confirmação que são elas (à semelhança do que se passa em outros países) que mais valorizam a escola, pois os rapazes acham que podem desde logo escolher um curso profissional que têm o seu futuro garantido.

Na Finlândia as raparigas têm muito melhores notas que os rapazes (sobretudo a partir da pré-adolescência)  e esta é até uma possibilidade de ser a chave do sucesso PISA...

Pareceu-me existir um sentido de responsabilidade pessoal, fruto da confiança que os professores depositam nos alunos, e que os alunos têm uma motivação intrínseca na aprendizagem. Esta impressão baseia-se em duas visitas a escolas em que foram os alunos que nos guiaram, sem intermediação de nenhum adulto.

(Nota: Tenho termo de comparação e já tive oportunidade de observar salas de aula em muitos países tal como Noruega, Dinamarca, Suécia, Inglaterra, Irlanda, República Checa, Lituânia, Espanha, Portugal... Nunca saí desses países com esta noção acerca dos alunos).
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Outro aspecto curioso que guardo deste visita é o facto de não me recordar ter visto alunos obesos (e estive atento ao facto)!
Não creio que isto seja devido ao facto de em cada escola o almoço ter sempre salada a acompanhar e haver leite distribuído gratuitamente (Tal como na Suécia). Lá que dá que pensar...

Nota 2 - Aqui cada aluno deve levantar o seu tabuleiro e colocar em tabuleiros a louça que usou: Copos para um lado, talheres para outro, pratos para outro, resíduos orgânicos separados dos inorgânicos...)  

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Então mas é tudo um mar de rosas na Finlândia?

Não! já acima descrevi alguns aspectos mais problemáticos e os organizadores não ocultaram alguns problemas que percepcionam, a saber:
- Desde 2008 que se regista um aumento dos problemas comportamentais nas escolas finlandesas.
- Há mesmo um desfasamento nos resultados académicos entre rapazes e raparigas e não há indicações que este desfasamento tenda a diminuir.
- Há justificadas preocupações acerca do bem-estar de algumas jovens no ensino secundário que parecem em risco de depressão e falta de auto-estima (no fim de contas, num grupo só há um número um...)